Enchente
Força tarefa do Judiciário leva insumos e serviços à Colônia Z-3
Em meio às dificuldades enfrentadas pela população, ações variadas têm amenizado o sofrimento no reduto dos pescadores
Volmer Perez - DP - Foram realizados aproximadamente 200 atendimentos
Diante das dificuldades do poder Executivo em organizar e manter a dignidade na Colônia Z-3, integrantes do Judiciário mobilizaram-se em duas forças tarefas para levar serviços e insumos à população neste reduto de pescadores, uma das áreas mais atingidas pela enchente em Pelotas.
Na última sexta-feira (24), quatro caminhões do exército saíram do Fórum de Pelotas com destino à Colônia dos Pescadores, em um trajeto acidentado e enlameado, impraticável para veículos de pequeno porte.
A rota até a Colônia pelo Retiro, de 42 quilômetros, foi feita em mais de duas horas, devido às condições absolutamente precárias da estrada. Nas caçambas dos caminhões estavam insumos e servidores de diferentes entidades, com o intuito de prestar auxílio à comunidade.
As 153 pessoas abrigadas [dados da sexta-feira] e também a comunidade local, pessoas que passaram a viver em barcos ou não abandonaram as suas casas, tiveram acesso a atendimentos da Justiça Estadual, Ministério Público Estadual (MP), Defensoria Pública Estadual, Defensoria Pública da União (DPU), Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e CEEE Equatorial.
O mutirão também contou com o serviço dos Cartórios de Registro Civil, que entregaram 45 certidões de nascimento e casamento aos residentes no abrigo e ainda colheram 50 novos pedidos desses documentos.
Integrantes da Secretaria de Assistência Social integraram a comitiva, para dar celeridade às inscrições no Cadastro Único e assim assegurar que a população atingida seja contemplada pelos benefícios estaduais e federais.
O MP também movimentou, paralelamente, um mutirão de arrecadação de doações à Colônia Z-3, e fez a entrega dos itens no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), uma das poucas partes na colônia que estão em território seco, ao lado da Paróquia que recebe os desabrigados.
"Fazemos a inspeção em todos os abrigos da cidade, e aqui é a comunidade mais afetada e vulnerável. Eles efetivamente perderam tudo. Nos juntamos à Defensoria Pública e ao Poder Judiciário no mutirão para fazer o cadastro para ter acesso aos benefícios e trouxemos os mantimentos", explicou a promotora Aljacira Lima Terra.
Marcelo Malizia Cabral, juiz, falou sobre as ações que o Judiciário tem feito em meio ao cenário caótico deixado pelas águas do Estado na Zona Sul. A primeira etapa foi no abrigo Edmar Fetter, sendo esta segunda na Z-3.
"A ideia é um dia por semana atender em algum abrigo. Entregamos segunda via de certidões de nascimento e casamento para quem solicitou, muitas pessoas perderam esses documentos, os abrigos fizeram o formulário", relatou. A contagem aproximada é de que 200 pessoas foram atendidas pelos órgãos do Judiciário.
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